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Arrume a sua cama de Willian H. McRAVEN: uma mensagem de esperança aos enlutados.

A sala de espera da Base Aérea de Dover estava repleta de famílias enlutadas – crianças inconsoláveis soluçando no colo das mães, pais de mãos dadas na esperança de dar força um ao outro e viúvas com um olhar de incredulidade. Apenas cinco dias antes, um helicóptero que transportava SEALS da Marinha e seus parceiros das Operações Especiais Afegãs, pilotado por aviadores do Exército, tinha sido abatido no Afeganistão. Todos os 38 homens a bordo tinham morrido. Era a maior perda na Guerra ao Terror.

Em menos de uma hora, uma aeronave C-17 foi designada para pousar em Dover, de onde as famílias dos heróis mortos seriam escoltadas até a área de pouso para encontrar os caixões cobertos com a bandeira dos Estados Unidos. Mas enquanto as famílias aguardavam, o presidente dos Estados Unidos, o secretário da Defesa, seus comandados e chefes militares entraram na sala de espera para prestar homenagem e dar conforto aos familiares mortos.

Eu já tinha comparecido a dezenas de serviços fúnebres de soldados mortos. Nunca foi fácil, e eu sempre me perguntava se minhas palavras de consolo fariam alguma diferença para aqueles que tinham perdido seus entes queridos, ou se o choque da perda tornaria tudo o que pudesse dizer incompreensível.

Quando eu e minha mulher, Georgeann, começamos a falar com as famílias, eu me esforçava para encontrar a palavra certa. Como criar empatia verdadeira com a sua dor? Como lhes dizer que o sacrifício do filho, marido, pai, irmão ou amigo valera a pena? Fiz o que pude para confortar cada um. Abracei- os. Rezei com eles. Tentei me manter forte por eles, mas sabia que as minhas palavras não eram capazes de aliviar a dor.

Então, enquanto estava de joelhos ao lado de uma mulher idosa, notei que a família perto de mim conversava com o tenente- general John Kelly. Assessor militar do secretário da Defesa, Kelly era um homem alto, magro, com os cabelos grisalhos curtos e vestia um imaculado uniforme dos fuzileiros navais. A família estava em volta dele, e pude sentir que suas palavras de simpatia e encorajamento diante da tragédia causavam um efeito profundo sobre os desolados pais e seus filhos. Ele sorria e eles sorriam. Ele os abraçava e eles o abraçavam de volta. Ele estendia a mão e eles agarravam com força.

Depois de abraças as famílias um última vez e agradecer a elas por seu sacrifício, Kelly passava ao próximo grupo de triste sobreviventes. Durante a hora seguinte, Johm Kelly tocou quase todas as famílias na sala. Mais do que as de qualquer outro visitante naquele dia, as palavras de Kelly reverberaram em casa pai, esposa, irmão e irmã ou amigo. Eram palavras de compreensão. Eram palavras de compaixão e, acima de tudo, de esperança.

O primeiro-tenente Robert Kelly fora morto no Afeganistão em 2010 quando servia o Terceiro Batalhão do Quinto Regimento do Fuzileiros Navais. O general Kelly e sua família tinham enfrentado a mesma tragédia com que as famílias se defrontavam em Dover naquele dia. Mas a família Kelly sobrevivera. Tinha resistido à dor, à angustia e ao inconsolável sentimento de perda.

Vendo- o naquele dia, senti que ele também me deu força. Quando se perde um soldado, a verdade é que choramos por sua família, mas também tememos que o mesmo destino se abata sobre nós. Nos perguntamos se poderíamos sobreviver à perda de um filho. Ou se nossa família seria capaz de seguir em frente sem nós. Rezamos para que Deus tenha misericórdia e não jogue sobre nossos ombros esse fardo inimaginável.

Nos 3 anos seguintes, John Kelly e eu nos tornamos amigos íntimos. Ele era um homem notável, um excelente marido para sua mulher Karen, e um pai amoroso para sua filha, Kate,  e seu primogênito, major dos fuzileiros navais John Kelly. Porém mais do que isso, sem saber, John Kelly deu a esperança a todos que o cercavam. Esperança de que, nos piores momentos, podemos vencer a dor, a decepção, a agonia, e sermos fortes. De que temos dentro de nós a capacidade de prosseguir não apenas para sobreviver, mas também para inspirar outras pessoas.

A esperança é a força mais poderosa do universo. Com esperança podemos inspirar nações a atingir sua grandeza. Com esperança podemos ajudar os oprimidos a se levantar. Com esperança podemos suportar a dor da perda insuportável. Às vezes, tudo o que é preciso é uma pessoa que faça a diferença.

Algum dia, qualquer um de nós se verá enfiado na lama até o pescoço. É o momento de cantar alto, de sorrir francamente, de animar os que nos cercam e lhes dar esperança de que o amanhã será um dia melhor.

 

 

* ARRUME A SUA CAMA *  – PEQUENAS ATITUDES QUE PODEM MUDAR A SUA VIDA…E TALVEZ O MUNDO

WILLIAM H. McrAVEN

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